sábado, 25 de abril de 2020

Lágrimas ao Luar

Meus olhos vertem salgado sentimento,
Escorre-me no rosto o amargo pensamento.
É salgado mas é desconhecido,
Sentimento este que me faz duvidar.
É tão amargo o meu pensamento.
Estou perdido.
Como quem procura um caminho,
Ou uma luz,
Fecho os olhos.
A dor permanece, mas continuo no escuro.
Não há luz.
Não abro os olhos.
Tento limpar o sentimento dos olhos
E os pensamentos do rosto,
Mas ficam as marcas.
Cicatrizes que me mostram que perdi-me pelo caminho.
Abro os olhos e procuro uma luz.
Não vejo nada.
Vejo tudo mas não vejo nada.
Como se os meus olhos deixassem de ver,
Vejo tudo mas não olho p’ra nada.
Vazio.
Vejo o vazio.
Vazio este que parece um remoinho.
À medida que o tempo passa,
Vejo os meus sentimentos e pensamentos a inundarem o vazio.
Frio.
E de repente sinto frio no rosto.
Aí então me apercebo que me perdi no vazio,
Enquanto salgo os olhos
E amargo o rosto.
Nada.
Mas no nada passa-se tudo.
É do nada que tudo surge.
É no nada que me perco,
Porque foi no nada que tudo aconteceu.
A dor.
Nem a sinto.
Talvez porque ainda estou perdido.
Talvez porque ainda nada esteja partido.

Mas será do nada que se poderá partir.

Lágrimas ao luar.
A lua está linda.
A única luz que vejo esta noite.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Hoje sou um homem...

Hoje sou um homem.
Ontem era jovem,
E hoje sou novo.
Sou o que sou,
E tu és o que me faltava.

Era jovem e imaginava.
Imaginava o que seria ter-te,
O que seria abraçar-te,
O que seria beijar-te,
O que seria acariciar-te.

Era jovem contigo.
Vi que te queria comigo.
Vi que estava disposto a tudo:
A arriscar, a deixar, a mudar,
A crescer, a querer.

Passei a querer constantemente.
Queria ter-te,
Queria abraçar-te,
Queria beijar-te,
Queria acariciar-te.

A vontade era e é tanta.
Cada momento se tornou importante,
Cada beijo se tornou uma presença,
Para que, ao partir,
Sinta que nada me falta.

Cada palavra que tento dizer,
Sai sinceramente,
Com algum medo,
Mas deixo correr.
Sinto essa necessidade.

Necessidade essa que vem de ti.
Porque preciso de ter-te,
Preciso de abraçar-te,
Preciso de beijar-te,
Preciso de acariciar-te.

A necessidade corre-me nas veias,
Como o mel corre nas colmeias.
Foi trabalhada com carinho,
E resultante de esforço mútuo.
Foi fruto da felicidade que me dás.

Sou homem hoje,
Porque me moldamos assim.
Porque eu preciso,
Tenho necessidade de ser o teu homem,
E fazer-te feliz.

Tenho necessidade,
Mas não necessito de ti.
Eu preciso de ti,
Porque não és a minha necessidade,
Mas sim a minha preciosidade.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Fica Comigo

Fica comigo.
Tenho ainda o teu gosto nos meus lábios,
O teu cheiro na minha pele
E o teu calor na minha mão.
Só não tenho a tua presença,
E é isso que me faz mais falta.

Fica comigo,
No frio da manhã,
No calor do dia,
Na serenidade da noite.

Fica comigo.
Quero ver-te ao acordar,
Quando sair para trabalhar,
Quando eu regressar
E antes de adormecer.

Fica comigo.
Quero que os teus lábios
Sejam a primeira e última coisa
Em que os meus tocam,
Todos os dias.

Fica comigo,
Mais perto do que um telefonema,
Mais perto do que uma carta,
Mais perto de mim,
Mais longe da distância.

Fica comigo,
Com as falhas que tenho,
Com os erros que cometi,
Com o passado que vivi,
Com o amor que tenho por ti.

Fica comigo,
Pois sem ti não sou o mesmo.

Fica comigo,
Pois contigo é com quem quero ficar.

Fica comigo,
Porque tenho desejo de ti.

Fica comigo,
Porque contigo sinto-me bem.

Fica comigo.
Comigo e mais ninguém.

Fica comigo,
Porque eu te quero.

E assim ficarei contigo,
Se assim me quiseres também.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Saudade

Meu amor,
Como gostaria que estivesses aqui.
Tenho saudade de amar.
A saudade de quem anda perdido,
Por não ver quem mais quer.
Chama-se saudade,
Porque não sei quando volta.
Este sentimento...
Penso em ti,
Porque não quero pensar em mais nada.
Só em ti.
Sinto a saudade de um navegador,
Que partiu em busca
Do orgulho do seu amor.
Sinto a saudade que sentiram os grandes,
Que foram enfrentar tormentas,
Receando não poder voltar.
Sinto a saudade que sentem muitos,
Pois o nosso fado
É feito de mares e ventos.
Somos os navegadores.
Somos as caravelas.
Somos levados à deriva.
Somos as canções de amor,
Proibidas pelos antigos tempos,
Terminados pelo rubio dos cravos.
Meu amor, somos a chama
Que purifica
E arrasa.
Somos terra fértil,
Recém-semeada,
De onde provêm a esperança.

Somos escravos,

Cicatrizados pelo passado,
Prisioneiros do presente.
Somos dois e um só.
Sou navegador.
Parto para longe de ti.
Só me resta a saudade.
Sou navegador.
Sou levado por tempestades,
Que deixam saudade do teu porto de abrigo.
Sou navegador.
Canto fados,
Canto serenatas à saudade.
Sou navegador.
Embalo-me todas as noites
Na saudade que tenho de ti.
Tenho a saudade de quem ama.
Amo a quem me tem saudade.
Canto a quem saudade tem.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Penso Tempo

O tempo é relativo.
Mede-se pelo tamanho,
ou profundidade,
dos nossos pensamentos.

Se penso que sou grande,
sou pequeno.
Se penso que sou pequeno,
não existo.

Penso que estou certo,
por estar incerto.
Será a certeza um instinto então?

Se sou grão,
viro pó.
Se sou pó,
sou parte de algo maior.

Sou feliz por ser pequeno,
rodeado de pequenas pessoas,
pequenas coisas,
simples,
da vida.

Se sou alto ou baixo,
não importa.
O que está longe
continua fora do meu alcance.

Se sou rico,
o muito parece-me pouco.
Se sou pobre,
o pouco já me é suficiente.

Sou feliz por ser pequeno.

Se não fosse pequeno,
seria grande.
E se fosse grande,
teria o mundo.

Sempre disse que,
quando fosse grande,
queria ver o mundo.
Nunca pensei em tê-lo,
no fundo do bolso,
como se as coisas pequenas que existem
não fizessem do mundo o que ele é.

É a imensidão do pequeno
que torna este lugar
tão especial.

Sou eu.
És tu.
Nós somos os pequenos,
que quando forem grandes,
serão sempre pequenos.

Se procuro felicidade,
estou certo que a encontrarei
nas coisas pequenas.
Porque,
por mais pequenas que sejam,
serão sempre grandes
aos meus pequenos olhos.

Se sou pequeno para ti,
sou grande
nos olhos de outrém.

Sou grande,
sou pequeno,
sou rico,
sou pobre,
sou grão,
sou pó.

Sou o que me vem no pensamento
quando o tempo se faz grande.
Sou o que os outros pensam de mim
quando o tempo deles é meu.

domingo, 29 de março de 2015

A Mensagem

Perdido na noite,
na injusta insomnia,
peguei no meu telemóvel.
Pensei em ti.
Imaginei mil mensagens que podia te enviar.
Só uma bastaria.
Só uma seria o suficiente.
Só uma originaria outras.

Perdido no meu pensamento,
na minha insaciável curiosidade,
Pensei em ti.
Peguei no meu telemóvel.
"Estás aí?"
"Amo-te, sabias?"
Só isso bastaria
Só isso seria o suficiente.
Só isso originaria outras.

Perdido em ti,
nos teu olhos...
Oh, como eu queria estar...
Peguei no meu telemóvel.
"Gostava que estivesses aqui."
Só isso bastaria.
Só isso seria suficiente.
Só isso originaria outras.

Estou perdido.
Estou indeciso.
Tenho o meu telemóvel,
mas chegará a mensagem a ti?
E se te mandar uma carta,
sabes, como se fazia antigamente?
Será que a minha caligrafia
alguma diferença faria?

Perdido numa folha de papel,
no vazio desta cor branca,
não sei por onde começar.
O que quero escrever?
Que mensagem quero te enviar?
Não me deixes pensar.
O que escrever será sincero,
não será fabricado.

Perdido em frases repetidas.
É como estou nesta noite.
Quero dizer que te amo,
mas haverá só este método?
"Amo-te, sabias?"
Não me deixes pensar.
O que escrever será sincero,
não será fabricado.

Perdido nas minhas palavras,
na controvérsia que em mim crio,
me desfaço em lágrimas.
Mas tu não as vês.
Também não as escrevo nem descrevo.
Não me deixes pensar.
O que escrever será sincero,
não será fabricado.

Estou perdido.
Estou indeciso.
Tenho o meu telemóvel e a tua carta,
mas chegará a mensagem a ti?
E se te disser com os meus lábios?
Não falo de palavras.
Se te der um beijo,
perceberás o meu desejo?

Mas enfim,
se assim for,
perder-me-ei nos teus lábios
e perderei a mensagem que te queria enviar.
"Amo-te, sabias?"
Estou aqui.
Quero-te aqui,
onde podiamos estar os dois.

Estou perdido.
Estou indeciso.
Mas já sei o que me falta.
Tenho o meu telemóvel e a tua carta,
e os meus lábios de nada me servirão
se tu não estiveres aqui.
Não preciso de um beijo...
Aliás, até preciso de muitos, e todos teus.

Mas tenho uma mensagem para ti.
Já me tinha esquecido dela.
Pensava que já te tinha dito antes,
mas enganei-me.
"Estou aqui.
Não estou aí.
Mas quando estiver,
Olharei por ti."

Esta era a mensagem
que queria que chegasse a ti.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Uma constante

Uma constante.
Constante que não consta nas matemáticas.
Constante que não constata,
Permanecendo constante em mim.
Constante pensamento,
Constante preocupação.
Constante prolongamento
Da minha constante evolução.
Consta em mim,
Que não constou em livros,
A constante busca interior
Que levo no meu peito.
De chamas sou eu feito,
Que são apagadas, constantemente,
Pelas lágrimas que, pela dor do meu peito, derramo.
Essa é a constante da minha inconstância.