Meus olhos vertem salgado sentimento,
Escorre-me no rosto o amargo pensamento.
É salgado mas é desconhecido,
Sentimento este que me faz duvidar.
É tão amargo o meu pensamento.
Estou perdido.
Como quem procura um caminho,
Ou uma luz,
Fecho os olhos.
A dor permanece, mas continuo no escuro.
Não há luz.
Não abro os olhos.
Tento limpar o sentimento dos olhos
E os pensamentos do rosto,
Mas ficam as marcas.
Cicatrizes que me mostram que perdi-me pelo caminho.
Abro os olhos e procuro uma luz.
Não vejo nada.
Vejo tudo mas não vejo nada.
Como se os meus olhos deixassem de ver,
Vejo tudo mas não olho p’ra nada.
Vazio.
Vejo o vazio.
Vazio este que parece um remoinho.
À medida que o tempo passa,
Vejo os meus sentimentos e pensamentos a inundarem o vazio.
Frio.
E de repente sinto frio no rosto.
Aí então me apercebo que me perdi no vazio,
Enquanto salgo os olhos
E amargo o rosto.
Nada.
Mas no nada passa-se tudo.
É do nada que tudo surge.
É no nada que me perco,
Porque foi no nada que tudo aconteceu.
A dor.
Nem a sinto.
Talvez porque ainda estou perdido.
Talvez porque ainda nada esteja partido.
Mas será do nada que se poderá partir.
Lágrimas ao luar.
A lua está linda.
A única luz que vejo esta noite.