sábado, 25 de outubro de 2014

Lábios

Quero voltar,
Voltar ao tempo
Em que a terra parou,
E o relógio continuou.
Voltar àquele momento,
Que não foi só meu,
E que teve de acabar.
Voltar a sentir,
Voltar a tocar,
Voltar a acariciar
O tempo em que o tive,
Naquele momento.

Quero voltar aos seus lábios.
Aos lábios que me aguardam,
Pois sabem que em breve voltarei.
Voltar aos lábios que me envolveram,
Aos lábios que sei que nunca esquecerei.
Quero voltar a tocar os seus lábios.

Lábios esses que tocaram os meus,
Vezes e vezes sem conta.
Lábios que me fazem sorrir
Com cada palavra,
Com cada sorriso,
Com cada beijo.

Foi de beijo que me tocou os lábios.
É de beijo que me diz olá e adeus.
É de beijo que diz que me quer.

São os seus lábios,
Que tocam os meus com ternura.
São os seus lábios,
Que me cortam a respiração,
Para me encher o coração.
Sei do seu beijo
Seu maior segredo e desejo.

São os lábios que nos falam.
São os lábios que se tocam.
São os lábios que soltam a faísca
Ao fogo que se sucede,
Sem o poder controlar.
O desejo arde,
Do calor que sinto,
Quando me beija
Ao sabor dos seus lábios.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Lençóis

Com o nascer do luar
Me surge a memória.
A criança que lança o seu olhar
Para o narrador da história.

Um conto de fadas
Ou o seu primeiro amor.
A criança, entre as suas almofadas,
Ouve a história do seu narrador.

Um sorriso incompleto
E os olhos gastos.
O narrador, no seu dialeto,
Conta os seus contos em atos.

As saliências do seu rosto
E os pigmentos coloridos de tom escuro.
É o narrador o encosto
E, da criança, o porto seguro.

A criança é lançada aos lençóis
Como sempre foi e será.
Ela deita os seus caracóis
Na segurança que só um lençol lhe dá.

O cheiro que paira no seu descanso
Invoca, de dentro, a nostalgia.
Os olhos da criança encerram-se
No lençol guardado pela família.

O calor que lhe guarda
É o calor que lhe criou.
Com o calor é embalada
Pelo amor que lhe narrou.

O lençol que cobre a criança,
Cobre as lágrimas do seu rosto.
Cada lágrima que no olho dança
Quando o seu amor é exposto.


Com o nascer do luar
Me surge a memória.
A criança a chorar
Aos lençóis pela narratória.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

O Cancro da Despedida

"Há um momento na vida de cada homem..."
Em que ele cresce sem querer.
São vários os momentos...
São várias as despedidas.

Ainda estás connosco,
Mas o silêncio instalou-se nas paredes da minha casa.
Ainda estás connosco,
Mas é como se já se quisessem despedir.

O homem que és e o homem que foste,
É o homem que será sempre para mim.
Desde que nasci que estiveste presente na minha vida,
E, até eu morrer, será sempre assim.

Ainda estás connosco,
Mas já imagino o pior.
Ainda estás connosco,
Mas tudo mudará quando não estiveres.

Não estou preparado.
Quando soube da notícia não chorei,
Mas fiquei chocado,
E já muito suor derramei.

Quando te fores,
Levo comigo o teu sorriso.
Até lá, será sempre teu,
Pois a felicidade nunca ninguém te a soube tirar.

Lembra-te que nunca será um "adeus",
Mas sim um "até já".
Pois de certeza que nos voltaremos a encontrar,
Mas, quando, só Deus saberá.

Por ti já sofri e já sorri,
Mas nunca chorei.
Será este o momento,
Em que cada palavra que escrevo é uma lágrima que escorre por ti.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Em Busca da Alma

Não sei por onde começar.
Na minha mente,
Em simultâneo com o meu coração,
Nasce a dúvida.
Não sei o que dizer
Quando sei que o que há em mim
É indefinido.

Não sei em que ponta pegar.
Estando de cabeça quente,
Não te quero rogar uma maldição.
Não te quero tirar tempo de vida
Se eu próprio não sei o que fazer.
Não quero deixar meus pensamentos assim,
Espalhados pelo meu coração tímido.

Não sei o que quero,
Nem o que me espera.
P'ra ser sincero,
Eu sei o que desejo.
Mas não sei o que procuro em ti.
Sinto que me perdi
No sentimento que minha imaginação gera.

Não sei onde pode acabar.
Se tenho medo de saber, não sei.
Só sei que tenho curiosidade em saber.
E se não souber não me contentarei,
Pois a minha dúvida não desaparecerá
Enquanto meu coração assim bater,
Ansiando uma palavra tua.

Se não sei,
Espero que seja só por agora.
Se der em algo,
Assim veremos.
Se der em nada,
É impossível,
Porque haverá sempre algo.

terça-feira, 11 de março de 2014

Battlefield

A war has struck my heart like thunder.
Causing casualties within my emotions.
One step, one touch, one kill.
One kiss to share my dying will.

A roaring sound before collision.
One step, one touch, one kill.
The drums are sounding even louder.
One kiss to share my dying will.

But my mind
Turns my heart into a battlefield.
Your words echo inside spreading fear.
My whole body gets nervous and shivers.
And you know how much you affect me,
Your stare is so strong
You could kill me.
Please, don't lay a bomb on my battlefield.

Once you get in
You can't get out.
It's kill or be killed
And you don't want to stop living.
Stay strong my beloved.
The war is raging,
Day by day even stronger.

Everyday a new battle.
More deaths, more wounds, more tears.
But it softly turns into ashes
As the fire and the flare
Burn the pain,
Burn the will,
Light the day,
Light my heart.

My heart is the battlefield.
One step, one touch, one kill.
One kiss to share my dying will.

But my mind
Turns my heart into a battlefield.
Our lips are bombarding in the air
Falling down and shaking the ground.
And you know how much you affect me,
Your stare is so strong
You could kill me.
Go ahead, lay a bomb on my battlefield.

One step, one touch, one kill.
One kiss to share our dying will.
If we die, we die together on the battlefield.