terça-feira, 20 de outubro de 2015

Saudade

Meu amor,
Como gostaria que estivesses aqui.
Tenho saudade de amar.
A saudade de quem anda perdido,
Por não ver quem mais quer.
Chama-se saudade,
Porque não sei quando volta.
Este sentimento...
Penso em ti,
Porque não quero pensar em mais nada.
Só em ti.
Sinto a saudade de um navegador,
Que partiu em busca
Do orgulho do seu amor.
Sinto a saudade que sentiram os grandes,
Que foram enfrentar tormentas,
Receando não poder voltar.
Sinto a saudade que sentem muitos,
Pois o nosso fado
É feito de mares e ventos.
Somos os navegadores.
Somos as caravelas.
Somos levados à deriva.
Somos as canções de amor,
Proibidas pelos antigos tempos,
Terminados pelo rubio dos cravos.
Meu amor, somos a chama
Que purifica
E arrasa.
Somos terra fértil,
Recém-semeada,
De onde provêm a esperança.

Somos escravos,

Cicatrizados pelo passado,
Prisioneiros do presente.
Somos dois e um só.
Sou navegador.
Parto para longe de ti.
Só me resta a saudade.
Sou navegador.
Sou levado por tempestades,
Que deixam saudade do teu porto de abrigo.
Sou navegador.
Canto fados,
Canto serenatas à saudade.
Sou navegador.
Embalo-me todas as noites
Na saudade que tenho de ti.
Tenho a saudade de quem ama.
Amo a quem me tem saudade.
Canto a quem saudade tem.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Penso Tempo

O tempo é relativo.
Mede-se pelo tamanho,
ou profundidade,
dos nossos pensamentos.

Se penso que sou grande,
sou pequeno.
Se penso que sou pequeno,
não existo.

Penso que estou certo,
por estar incerto.
Será a certeza um instinto então?

Se sou grão,
viro pó.
Se sou pó,
sou parte de algo maior.

Sou feliz por ser pequeno,
rodeado de pequenas pessoas,
pequenas coisas,
simples,
da vida.

Se sou alto ou baixo,
não importa.
O que está longe
continua fora do meu alcance.

Se sou rico,
o muito parece-me pouco.
Se sou pobre,
o pouco já me é suficiente.

Sou feliz por ser pequeno.

Se não fosse pequeno,
seria grande.
E se fosse grande,
teria o mundo.

Sempre disse que,
quando fosse grande,
queria ver o mundo.
Nunca pensei em tê-lo,
no fundo do bolso,
como se as coisas pequenas que existem
não fizessem do mundo o que ele é.

É a imensidão do pequeno
que torna este lugar
tão especial.

Sou eu.
És tu.
Nós somos os pequenos,
que quando forem grandes,
serão sempre pequenos.

Se procuro felicidade,
estou certo que a encontrarei
nas coisas pequenas.
Porque,
por mais pequenas que sejam,
serão sempre grandes
aos meus pequenos olhos.

Se sou pequeno para ti,
sou grande
nos olhos de outrém.

Sou grande,
sou pequeno,
sou rico,
sou pobre,
sou grão,
sou pó.

Sou o que me vem no pensamento
quando o tempo se faz grande.
Sou o que os outros pensam de mim
quando o tempo deles é meu.