quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Lenços

A vida tem as suas fases.
Cada um decide como vivê-las,
Porém precisam de bases,
Para, assim, saber apreciá-las.

A primeira, a de uma cria.
Um lobito, com o seu apelo
De inocência e alegria.
Assim é o rapaz do lenço amarelo.

A segunda, a de uma procura.
Um explorador, que nada perde,
Só descobre a sua própria assinatura.
Assim é o rapaz do lenço verde.

A terceira, a de uma orientação.
Um pioneiro, que procura o Norte e o Sul,
O caminho da sua vocação.
Assim é o rapaz do lenço azul.

A quarta, a de uma escolha.
Um caminheiro cuja mente é o seu aparelho,
Guia daquilo que escolhe, porque olha.
Assim, é o rapaz de lenço vermelho.

A quinta, a de uma finalidade.
Um dirigente, que é mais que capaz
De orientar para a felicidade
Os olhos de cada rapaz.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Já me perdi...

Já me perdi!
Estava a meio de um conto
E perdi-me.
Já me parti!
Estava-me faltando um ponto
E parti-me.

Vi-me, isolado de tudo.
Uma sombra aos pés do Homem,
Um tom grave misturado com agudo.
Um peso no ombro, de passagem.
Vi-me, diferente.
Olhei para todos e, depois, para mim.
Tinha várias caras em mente,
Mas a minha é diferente, enfim.

Que sociedade!
Ela molda-nos ao seu ver,
Mas sempre com o seu toque de maldade.
Assim é a sociedade até morrer.
Que gente!
Como podem ser tão semelhantes?
Porque sou tão diferente?
Como serão os seus pensamentos errantes?

Fiz de tudo para aparecer.
Tudo para fazer parte dos seus.
Fiz de tudo para seu respeito merecer,
Mas, enfim, foram sonhos meus.
Posso ter-me enganado,
Posso ter perdido a vista da humanidade.
Mas eu sei que não estou errado
Quando digo que sou eu que faço a minha felicidade.

Posso não sorrir,
Mas, apesar disso,
Não deixo de existir,
Nem por isso.

Cuando la muerte paró

Yo pasé mi vida,
Toda ella,
Como una flor cogida.
Una flor tan bella,
Pero su vida terminó.
La flor se murió,
Pero yo no.
La flor no soy yo,
Es la vida que tenia,
Que murió un dia.

Con el tiempo,
Mi vida cambió.
Dejé de sonreir,
Dejé de mirar.
Vi el tiempo caer
Y mi vida parar.
Ahora no entiendo
Si estoy solo vivo
O si mori con el tiempo.

Mi vida, de roja, se hizo azul
Y el tiempo, de norte, fue a sur.
Pasaron seis horas de mi vida
Mientras pasaron tres años de mi tiempo.
La flor de la vida perdió el color
Y las horas del tiempo perdieron el sentido.

Hace tiempo que ya no tengo vida
Pero las flores aun tienen unas horas.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Para ti...

Desculpa se sou de poucas palavras,
Mas o papel sempre foi meu aliado.
Não sei ler caras
Nem sei como usar tanto palavriado.
Não percebo nada de sentimentos,
Afinal nunca tive muitos.
Mas eu vi algo em ti,
Algo que nunca vi em ninguém.
Talvez algo que pensava ter comigo,
Mas nunca percebi.
Por isso criei alguém,
Um modelo de amigo,
Algum esteriótipo idealista.
Criei uma pessoa que talvez exista por aí,
Mas não sei se algum dia vou saber.
Penso que talvez fosse um pouco surrealista,
No entanto eu me apercebi,
Que posso pensar sem me aperceber
Que o coração sabe mais que o crânio.
Isto pode tudo parecer piroso,
Mas é mesmo bastante.
Mas por muito que isto seja momentânio,
Não me aguentei a roer o osso,
Pensando que perderia a oportunidade de ter um amante.
Não sei nada que até dá pena,
Mas de toda a insegurânça,
Arranjei o mínimo de coragem para tentar.
Isto tudo no auge de uma cena.
Uma cena numa obra tansa,
Criada e acabada de inventar.
Nesta obra falo da minha vida,
Mas a partir de uma altura,
Passo a maior parte do tempo te descrevendo.
Falo de como te estranhei na tua ida,
Falo de como consegues ser uma pessoa tão imatura e matura,
Falo do nosso "segredo", mas ainda estou escrevendo.
Cada detalhe, cada pormenor,
Dou valor a tudo.
Já pus por ordem tudo o que temos em comum,
Já estou farto de viver uma vida só para um.
Gosto, sinceramente, do maior ao menor,
Do mais ao menos visível detalhe, que nada mudo.
Assim como tu és,
Diferente do que eu imaginei,
É como gosto de ti.
Desde a cabeça aos pés,
Da boca que beijei,
E daquilo que até ao momento senti.
Não faz muito sentido,
Posso ter escrito tudo isto
E sem o resultado desejado.
Mas ao menos te deixe comovido.
Mesmo negado, eu insisto,
Por isso, já estou preparado.
Venha o que vier,
Eu sei que se não der,
Vou sorrir mesmo sem querer.
Ok, se leste até aqui,
Já reparaste no enorme pessimismo.
Por isso, só vou dizer:
Gosto de ti,
Não digo que te amo porque é muito pesado.
Mas quem sabe, com o tempo talvez o diga,
Depende de ti.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Prosa do Desespêro

Fui uma flor por muito tempo, talvez um girassol sempre virado de cara para onde radiasse o calor, num campo aberto onde o vento soprava no sentido mais calmo de cada dia.
Fui um simples grão de areia que viajou com o vento por todo o mundo. Choquei contra os olhos de muitas pessoas para ser sacudido de imediato por elas.
Fui um peixe, atraído pela ísca de uma simples cana de pesca, rodeava a ondulação da superfície da água do meu próprio rio. Tantos que me tentaram pescar, mas nunca me deixei levar com o medo de não ser devolvido ao meu rio.
Fui eu por muito tempo, perdi-me nos outros, tornei-me outro também. Tanto tempo que gastei, falando, comentando, criticando, evitando tudo quando, no fim, tudo veio a mim.
Já fui original, diferente dos outros. Agora, sou diferente de mim mesmo e pior que os restantes. Sou apenas um outro que tanto falava do que acontecia a outrém que acabou por me acontecer o mesmo.
Neste momento, estaria eu a falar mal de eu outro, enquanto que os restantes me estariam pontapeando e massacrando, atormentando e abusando, e os outros estariam me apoiando.
Já mandei os outros para longe de mim, com medo que me dessem problemas, acabei por ter os meus problemas e não posso contar comigo nem com os outros, quanto menos com os restantes.
Já fui inteiro, agora sinto-me completamente quebrado e roto no meio do chão, olhando o mundo andar à minha volta e a evoluir.
Já quis ser sempre igual, sempre me disseram que tinha que crescer, sempre disse que nunca ia mudar. Acabei por mudar sem saber, apenas aconteceu, e quando cresci não me avisaram que o mundo ia ser assim tão grande e injusto. O meu mundo deixou de ser eu e os restantes e passou a ser eu, o outro, os outros e os restantes.
Já fui bom, agora sou mau. Deixei a inocência escapar e a minha incosciência apoderou-se.
Acho que, quando cresci, não foi de cabeça mas sim de coração, porque deixei de pensar tanto nas minhas ações e tudo quanto faço tem sido por instinto. Tudo tem gerado confusão, o mundo continua a andar à minha volta.
Enquanto eu, sempre achei que os outros se deixavam levar pelo que viam e que isso nunca seria possível para uma pessoa do meu intelecto. Pensei corretamente, apenas não tinha conhecimento do quanto o meu coração reage com o que os meus olhos vêem.
Enquanto outro, choro e espero que tudo passe, fico quedo no desespêro de que tudo o que era meu volte para mim, espero até ter aquilo que nunca foi meu mas que o deseje ser.
Apenas nunca pensei que sentimentos fossem tão fortes que fossem capazes de mecher tanto com o meu corpo todo, toda a minha pessoa tanto física como psicológica.
Sempre fui uma pessoa de muitas palavras, porque usava mais o crânio. Agora tou completamente apoderado e impotente perante o que enfrento e meu coração fala por si.
Nunca fui um deprimido, também nunca fui cómico para fazer com que nunca estivesse deprimido, e o que sinto não é depressão, mas sim desespêro.
Só de pensar que já tive tudo, perto ou longe, mas sempre tive algo. E agora, não o tenho. Não tenho nada, nem a felicidade de o ver feliz.
O meu mundo já foi eu, o outro, os outros, os restantes e ele. Agora não o vejo, fiquei preso.
É engraçado como um outro como eu se calhar nem teve tanta dificuldade em perceber o seu coração. Diria que sinto saudade, a um ponto elevado.
Sinto... eu sinto, mas não sei o quê. Sei que são os seus lábios e a sua presença. Talvez também a sua voz, o seu olhar e o seu respirar. Sinto isso tudo, mas fico no desespêro de tentar perceber porquê.
Porquê ele? Porquê isto que sinto? Porquê a mim?
E o mundo continua a andar à minha volta...

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Relyable

It was not long ago
When I saw her face for the first time.
She had only one place to go,
Here, stuck in space and time.
Little did I know,
I always asked her.
She didn't wait until tomorrow
To give me back the answer.
To describe her is difficult.
She varies like the seasons.
She has her own cult:
To dream in colors for a thousand reasons.
When she is happy,
She smiles, a lot.
When she is unhappy,
She smiles, but she forgot.
She forgot why,
She forgot it all.
She learned to cry
And she learned to be small.
So she started that way:
A seed amongst full grown others
On a field grown away,
Grown but no one bothers.
No one cared!
In that seed,
We all saw something.
Only she dared
To succeed
On being anything.
She did and she does.
She knows all of us.
She is known for a lemon,
Sour but sweet and feminin.
Today, she has blossomed into a flower,
Embedded with power,
Trust, love and friends.
I rely on her too much.
But it's amazing how she can make emends
With one single touch.
She is adorable,
She is lemon-flower relyable.