Não sei o que sinto,
Mas, quando me perguntam,
Não minto.
Muitos até admiram,
Ou talvez deliram,
Quando digo o que sou
E aquilo por que passei.
De mim, ainda ninguém se enamorou,
Mas, até agora, nunca me importei.
Tento explicar tudo o que sei,
No entanto estou sempre deprimente.
De todos os dias que estive vivo,
Sinto que não sorri o suficiente.
Não sou socialmente ativo,
Nem sou assim tão negativo,
Mas tenho os meus momentos.
E tal como as belas flores
Têm os seus rebentos,
Eu tenho, no meu mundo, várias cores
E uma coleção de imaginários amores.
Tenho uma vasta lista de pretendentes,
Uma combinação enorme de emoções,
Várias refeições quentes,
Várias possíveis motivações,
Que me levem a totais animações.
Infelizmente, a única coisa real,
No meu mundo,
É a minha figura coloquial
Que desaparece com o despertar matinal.
É nesse momento que sou chamado à razão
Para viver mais um dia de monotonia,
Sem qualquer outra adição,
Seja de uma grande companhia,
Seja de grande confiança ou ousadia.
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Pessoas que aparecem
Se alguém vem ter comigo
Num tom agressivo,
Que antes queria ser amigo,
Mas depois tornou-se possessivo,
Não merece minha atenção,
Porque não aturo gente otária
Que não aceita um "não"
Como resposta precária.
Se alguém vem ter a mim
Com um ar arrogante
E com o seu próprio fim,
Não quer ser meu amante.
Apenas quer companhia
Naqueles momentos de solidão,
De tristeza e melancolia
Para se sentirem alguém no seu coração.
Se alguém vem à minha pessoa
Com atitudes insuportáveis,
De certeza não é peça boa,
Com personalidades variáveis.
Esse alguém não devia de existir,
Pelo menos digo eu,
Porque, antes de se me dirigir,
Já se armava em Romeu.
Se alguém vem,
Por favor,
Antes de vir,
Seja alguém,
Não invoque o amor,
E, se não der,
Faça favor de desistir.
Num tom agressivo,
Que antes queria ser amigo,
Mas depois tornou-se possessivo,
Não merece minha atenção,
Porque não aturo gente otária
Que não aceita um "não"
Como resposta precária.
Se alguém vem ter a mim
Com um ar arrogante
E com o seu próprio fim,
Não quer ser meu amante.
Apenas quer companhia
Naqueles momentos de solidão,
De tristeza e melancolia
Para se sentirem alguém no seu coração.
Se alguém vem à minha pessoa
Com atitudes insuportáveis,
De certeza não é peça boa,
Com personalidades variáveis.
Esse alguém não devia de existir,
Pelo menos digo eu,
Porque, antes de se me dirigir,
Já se armava em Romeu.
Se alguém vem,
Por favor,
Antes de vir,
Seja alguém,
Não invoque o amor,
E, se não der,
Faça favor de desistir.
Unusual will
It's a moment of grey
Right now.
There's something about this day...
It will rain,
Somehow.
This wind is insane
But my faith will remain.
I've sang songs of a sunny heat,
Melting days.
Today, the rain I will meet,
Soaking wet.
Of all the ways
And paths I've set
Still the rain I haven't met.
I'm starting to feel a bit cold,
How strange.
Of all the stories yet untold...
How could I
Be out of range
Of the story of the heaven's cry,
Inspiring to the artist's eye?
I have come this far.
I climbed,
To see what rain drops are.
From up close,
They are refined.
And what nobody knows
Is that rain also flows.
The wind blew my hair,
I wrote a poem, just to be fair.
Right now.
There's something about this day...
It will rain,
Somehow.
This wind is insane
But my faith will remain.
I've sang songs of a sunny heat,
Melting days.
Today, the rain I will meet,
Soaking wet.
Of all the ways
And paths I've set
Still the rain I haven't met.
I'm starting to feel a bit cold,
How strange.
Of all the stories yet untold...
How could I
Be out of range
Of the story of the heaven's cry,
Inspiring to the artist's eye?
I have come this far.
I climbed,
To see what rain drops are.
From up close,
They are refined.
And what nobody knows
Is that rain also flows.
The wind blew my hair,
I wrote a poem, just to be fair.
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Aula de fala
Isto está de rir.
O pior é que só tem graça
As desgraças
E tudo o que se partir,
Nem que seja uma carcaça
Ou umas taças.
Está tudo perdido.
Ninguém sabe,
Muito menos eu.
Preferia ter caído
Onde mais ninguém cabe
Senão o burro que morreu.
Com tanto
E tão pouco
Já estou de lado.
Sem santo
Nem rouco
Ouvindo este doutorado.
Catra-pum!
E já foi um.
Como aquele não há nenhum
Porque ninguém passa de comum,
Só comendo posta de atum
Naqueles dias de jejum.
Perdidos já somos dois
Nos nossos mundos egoístas,
Egocêntricos de cortesía.
Morreram as vacas e ficaram os bois.
Ele com os seus cronistas
E eu com a minha poesia.
De que adianta estar atento
Se antes ficar de olho aberto
Que estar surdo e burro.
Nada, de momento,
Me deixa tão desperto
Senão um murro.
Chiça penico,
Espero que não,
Por amor de Deus.
Preciso de ficar rico
Antes que me ponham a mão.
Pobres ateus.
Que vontade de te abraçar.
Sonho em te beijar,
Só te quero amar.
Mas agora não posso sonhar,
Porque tenho que fazer pensar
Que estou a estudar.
Farto-me de escrever,
Mas não param de fluir
Rimas soltas no papel.
Antes isso que sofrer
A conjugação do verbo "ir"
Com o predicativo de sujeito "fazer rapel".
Tem muita piada,
Porque eu já sei
Mas não me lembro.
É tudo conversa fiada
Sobre tudo o que passo e passei
Na turma de que sou membro.
Uma sala cheia de gente,
Cheia de personagens.
Uma sala dependente
De muitas falas
E linguagens.
Estou todo acelerado,
Não fico parado.
Nisto há um culpado:
Ou o líquido cafeinado,
Ou o bolo adoçado,
Ou o doce enchocolatado.
Tenho um discurso
Maior que o de um orador,
Maior que a maior filosofia.
Meu único recurso
É o meu professor,
Que só não sabe magia.
Tenho sangue americano,
Óculos no nariz
E um sorriso de matar.
Tenho veias de açoriano,
Sou magro de raíz,
E uma vontade enorme de cantar.
Só não sei português,
Porque não o quero ser
Nem desejo a ninguém.
Sou mais que inglês,
Convem saber,
Antes que mate alguém.
O pior é que só tem graça
As desgraças
E tudo o que se partir,
Nem que seja uma carcaça
Ou umas taças.
Está tudo perdido.
Ninguém sabe,
Muito menos eu.
Preferia ter caído
Onde mais ninguém cabe
Senão o burro que morreu.
Com tanto
E tão pouco
Já estou de lado.
Sem santo
Nem rouco
Ouvindo este doutorado.
Catra-pum!
E já foi um.
Como aquele não há nenhum
Porque ninguém passa de comum,
Só comendo posta de atum
Naqueles dias de jejum.
Perdidos já somos dois
Nos nossos mundos egoístas,
Egocêntricos de cortesía.
Morreram as vacas e ficaram os bois.
Ele com os seus cronistas
E eu com a minha poesia.
De que adianta estar atento
Se antes ficar de olho aberto
Que estar surdo e burro.
Nada, de momento,
Me deixa tão desperto
Senão um murro.
Chiça penico,
Espero que não,
Por amor de Deus.
Preciso de ficar rico
Antes que me ponham a mão.
Pobres ateus.
Que vontade de te abraçar.
Sonho em te beijar,
Só te quero amar.
Mas agora não posso sonhar,
Porque tenho que fazer pensar
Que estou a estudar.
Farto-me de escrever,
Mas não param de fluir
Rimas soltas no papel.
Antes isso que sofrer
A conjugação do verbo "ir"
Com o predicativo de sujeito "fazer rapel".
Tem muita piada,
Porque eu já sei
Mas não me lembro.
É tudo conversa fiada
Sobre tudo o que passo e passei
Na turma de que sou membro.
Uma sala cheia de gente,
Cheia de personagens.
Uma sala dependente
De muitas falas
E linguagens.
Estou todo acelerado,
Não fico parado.
Nisto há um culpado:
Ou o líquido cafeinado,
Ou o bolo adoçado,
Ou o doce enchocolatado.
Tenho um discurso
Maior que o de um orador,
Maior que a maior filosofia.
Meu único recurso
É o meu professor,
Que só não sabe magia.
Tenho sangue americano,
Óculos no nariz
E um sorriso de matar.
Tenho veias de açoriano,
Sou magro de raíz,
E uma vontade enorme de cantar.
Só não sei português,
Porque não o quero ser
Nem desejo a ninguém.
Sou mais que inglês,
Convem saber,
Antes que mate alguém.
King of a kingdom
It's time to settle down.
Life told by royalty,
The king who wears the crown,
It's all written in history.
The path to fame and fortune,
To the discovery of new tales.
Back turned to the sun,
Following some random trails.
Glory for the soldiers
Who fought their hearts out.
Glory for the warriors
That did more than just shout.
Stars shine on my kingdom!
Expel the wizardry
And let the peace come
To my reign of chivalry.
Catapult my enemies
To foreign lands.
Let there be festivities
Following the king's demands.
Come what may,
I will be ready.
Whenever the day,
My heart will be steady.
Lord, bistow your wisdom over me,
Bistow your spirit to the king.
He who wears the crown of gold
Has all blessings that are holy
And all the goods that are never ending.
The king has a kingdom to hold.
Life told by royalty,
The king who wears the crown,
It's all written in history.
The path to fame and fortune,
To the discovery of new tales.
Back turned to the sun,
Following some random trails.
Glory for the soldiers
Who fought their hearts out.
Glory for the warriors
That did more than just shout.
Stars shine on my kingdom!
Expel the wizardry
And let the peace come
To my reign of chivalry.
Catapult my enemies
To foreign lands.
Let there be festivities
Following the king's demands.
Come what may,
I will be ready.
Whenever the day,
My heart will be steady.
Lord, bistow your wisdom over me,
Bistow your spirit to the king.
He who wears the crown of gold
Has all blessings that are holy
And all the goods that are never ending.
The king has a kingdom to hold.
Vida nela...
Esta minha vida tenho vivido
Como um livro que ainda ninguém tinha lido.
Uma novela de um homem temido
Que ameaça a vida matando o amor.
Um homem que já passou por muita dor
E que perdeu a noção de calor.
Ele já teve tudo na mão,
Uma mulher que lhe deu seu coração,
Mas que acabou morrendo em oração.
Um pedido final,
Atravessando a morte, fatal
Dirigido ao solo do céu infernal.
A sua vida acabou por obra
E feito da manhosa cobra
Que é o único homem que lhe sobra.
Pediu que o homem sofresse.
Que o seu amor falecesse
Antes que o seu coração morresse.
Mas ele, perturbadamente,
Matou-a por consequente.
O homem está só e com medo
E não procura o êxodo,
Apenas o exílio, rijo como o rochedo.
O homem jogou e perdeu.
Tudo o que era seu
Foi-se, ou seja, desapareceu.
Deu por si, não tinha nada.
Andou na vida errada
E acabou no meio da estrada.
Tentou acabar com a sua vida,
Mas isso já é uma história não lida.
Resumindo, é aqui que a minha história está metida
E o fim só se dá quando estiver de partida.
Como um livro que ainda ninguém tinha lido.
Uma novela de um homem temido
Que ameaça a vida matando o amor.
Um homem que já passou por muita dor
E que perdeu a noção de calor.
Ele já teve tudo na mão,
Uma mulher que lhe deu seu coração,
Mas que acabou morrendo em oração.
Um pedido final,
Atravessando a morte, fatal
Dirigido ao solo do céu infernal.
A sua vida acabou por obra
E feito da manhosa cobra
Que é o único homem que lhe sobra.
Pediu que o homem sofresse.
Que o seu amor falecesse
Antes que o seu coração morresse.
Mas ele, perturbadamente,
Matou-a por consequente.
O homem está só e com medo
E não procura o êxodo,
Apenas o exílio, rijo como o rochedo.
O homem jogou e perdeu.
Tudo o que era seu
Foi-se, ou seja, desapareceu.
Deu por si, não tinha nada.
Andou na vida errada
E acabou no meio da estrada.
Tentou acabar com a sua vida,
Mas isso já é uma história não lida.
Resumindo, é aqui que a minha história está metida
E o fim só se dá quando estiver de partida.
Voz
Se um dia eu deixar de falar,
Ou sequer chegar a perceber
Que não voltarei a cantar,
Prefiro morrer.
Se, em alguma noite, eu vir as estrelas,
Completamente brilhantes e descobertas,
E não mostrar o quanto, para mim, são belas,
Então passarei a ter as minhas janelas cobertas.
Porque eu sou como sou.
Adoro isto que faço, mas não consigo.
Embora imite quem já cantou,
O modo como canto é comigo.
Se sei cantar, sei.
Se sei como cantar, não.
Mas eu aprenderei
E, assim, todos me ouvirão.
Não sei tocar instrumentos,
Mas sei apreciar
E ouvir os sentimentos
Que cada nota faz elevar.
Não sei o meu futuro neste mundo.
Eu só me quero expressar,
Ser melodicamente profundo
E, simplesmente, deixar me levar.
Eu vejo-me, noite e dia,
No meu canto feliz.
Vejo-me na minha própria ironia
De que um dia, a minha pessoa faz mais do que diz.
Ou sequer chegar a perceber
Que não voltarei a cantar,
Prefiro morrer.
Se, em alguma noite, eu vir as estrelas,
Completamente brilhantes e descobertas,
E não mostrar o quanto, para mim, são belas,
Então passarei a ter as minhas janelas cobertas.
Porque eu sou como sou.
Adoro isto que faço, mas não consigo.
Embora imite quem já cantou,
O modo como canto é comigo.
Se sei cantar, sei.
Se sei como cantar, não.
Mas eu aprenderei
E, assim, todos me ouvirão.
Não sei tocar instrumentos,
Mas sei apreciar
E ouvir os sentimentos
Que cada nota faz elevar.
Não sei o meu futuro neste mundo.
Eu só me quero expressar,
Ser melodicamente profundo
E, simplesmente, deixar me levar.
Eu vejo-me, noite e dia,
No meu canto feliz.
Vejo-me na minha própria ironia
De que um dia, a minha pessoa faz mais do que diz.
Sonhos
Não sei...
Não sei se passo o meu tempo...
O meu tempo eu só sonhei,
Ou acordado num copo.
Não sei se estou vivo
Ou sonhando morto.
Só sei que aqui sobrevivo
Até tudo dar para o torto.
Até saber qualquer resposta,
Vou-me orientando pelo que sinto.
Inspirado pela costa,
Vendo o mar bater no recinto.
Se estou a sonhar,
Então vou passar o meu tempo representando.
Momentos a cantar ou a dançar
É o meu sonho, em que ando.
Se estou acordado e de olho aberto,
Então não sei o que vai ser de mim.
Não sei o que está certo,
Nem vou saber até que chegue o meu fim.
Se a minha vida depender de um sonho,
Então boa noite que vou dormir.
Acordem-me se tiver um pesadelo medonho,
Porque o que eu quero é sorrir.
E é nisto que toda a minha fé ponho
Para, no fim, acordar e partir.
Não sei se passo o meu tempo...
O meu tempo eu só sonhei,
Ou acordado num copo.
Não sei se estou vivo
Ou sonhando morto.
Só sei que aqui sobrevivo
Até tudo dar para o torto.
Até saber qualquer resposta,
Vou-me orientando pelo que sinto.
Inspirado pela costa,
Vendo o mar bater no recinto.
Se estou a sonhar,
Então vou passar o meu tempo representando.
Momentos a cantar ou a dançar
É o meu sonho, em que ando.
Se estou acordado e de olho aberto,
Então não sei o que vai ser de mim.
Não sei o que está certo,
Nem vou saber até que chegue o meu fim.
Se a minha vida depender de um sonho,
Então boa noite que vou dormir.
Acordem-me se tiver um pesadelo medonho,
Porque o que eu quero é sorrir.
E é nisto que toda a minha fé ponho
Para, no fim, acordar e partir.
Noite sem sono
Fiquei acordado até ser madrugada,
Agarrado ás redes sociais.
Acabei por não dormir nada
Devido a conversas ocasionais.
Nem sei se adormeci enfim,
Porque a noite passou,
Mas não passou por mim.
Mas meu pai ressonou.
Tinha muito em que pensar,
Pouco para fazer,
Muito para planear
E ainda mais por saber.
Não dormi, nem sonhei.
Só ouvi e não parei de mexer.
Não vi, nem ressonei.
Só sei que no escuro nada dava para ver.
Muitos diriam que foi uma noite em branco.
Não faz sentido, porque estava tudo preto.
Até o sono, de mim próprio, arranco
E passo uma noite num aperto.
Não há despertador,
Só meu pai em alta voz
A causar-me na cabeça, uma dor,
Só para me levantar, veloz.
Enfim cheguei aqui, sozinho,
Andei assim pelo caminho inteiro.
No silêncio do banco vizinho
Estava meu pai vivo, mas rafeiro.
Agarrado ás redes sociais.
Acabei por não dormir nada
Devido a conversas ocasionais.
Nem sei se adormeci enfim,
Porque a noite passou,
Mas não passou por mim.
Mas meu pai ressonou.
Tinha muito em que pensar,
Pouco para fazer,
Muito para planear
E ainda mais por saber.
Não dormi, nem sonhei.
Só ouvi e não parei de mexer.
Não vi, nem ressonei.
Só sei que no escuro nada dava para ver.
Muitos diriam que foi uma noite em branco.
Não faz sentido, porque estava tudo preto.
Até o sono, de mim próprio, arranco
E passo uma noite num aperto.
Não há despertador,
Só meu pai em alta voz
A causar-me na cabeça, uma dor,
Só para me levantar, veloz.
Enfim cheguei aqui, sozinho,
Andei assim pelo caminho inteiro.
No silêncio do banco vizinho
Estava meu pai vivo, mas rafeiro.
Criação
E assim tudo foi feito.
Eu estou aqui por obra de alguém,
E com cada defeito,
Que todos têm também.
Arte é a palavra certa,
Tão longe da perfeição,
Mas a paixão de qualquer poeta
Que sonhe com imaginação.
Eu andei por ruas dispersas.
Tão escuras, tão negras,
Sem luz, sem pressas.
Amada luz, nem vejo pedras.
A mim me falta tanto para andar,
Pois nem a luz vejo perto.
Para o fundo estou a olhar,
Mas não sei se estou a olhar certo.
Procuro a minha musa escondida.
Procuro no lixo, procuro em tudo.
Pois ela é uma força temida
Por anjos que me querem ver mudo.
Sou mais que um artista
E menos que uma pessoa normal.
A minha fé é mista,
Porque estou aqui, estou mal.
Não julgo, não falo.
Se morro em ação,
Assim me calo
E assim se cala a minha criação.
Eu estou aqui por obra de alguém,
E com cada defeito,
Que todos têm também.
Arte é a palavra certa,
Tão longe da perfeição,
Mas a paixão de qualquer poeta
Que sonhe com imaginação.
Eu andei por ruas dispersas.
Tão escuras, tão negras,
Sem luz, sem pressas.
Amada luz, nem vejo pedras.
A mim me falta tanto para andar,
Pois nem a luz vejo perto.
Para o fundo estou a olhar,
Mas não sei se estou a olhar certo.
Procuro a minha musa escondida.
Procuro no lixo, procuro em tudo.
Pois ela é uma força temida
Por anjos que me querem ver mudo.
Sou mais que um artista
E menos que uma pessoa normal.
A minha fé é mista,
Porque estou aqui, estou mal.
Não julgo, não falo.
Se morro em ação,
Assim me calo
E assim se cala a minha criação.
Coisas
Há que admitir,
Que quando queremos coisa alguma,
Não fazemos mais nada senão pedir.
Então, pedimos não só uma,
Mas várias, para, assim, adquirir
E não ficar com nenhuma.
Se uma já é pedir muito
E pedir pouco dá em nada,
Então prefiro ser puto
E mais que uma coisa seria dada.
Sem mortes e sem luto,
Dar, não seria uma ação errada.
A mim não me cabe dar,
Nem receber,
Porque basta olhar
Para me perceber,
Em vez de julgar
Para me perder.
Podia apresentar mil oferendas.
Uma seria o meu coração,
Que está entre duas prendas,
Um e outro pulmão.
Outra seria novecentos e noventa e nove presenças
Que passaria segurando a sua mão.
Tudo isto não passa de romantismo.
É assim que passo os meus dias,
Sozinho nas aulas de Turismo,
Num mundo turístico sem guias,
Numa vida cheia de analfabetismo
E rodeado de amorosas enguias.
Que quando queremos coisa alguma,
Não fazemos mais nada senão pedir.
Então, pedimos não só uma,
Mas várias, para, assim, adquirir
E não ficar com nenhuma.
Se uma já é pedir muito
E pedir pouco dá em nada,
Então prefiro ser puto
E mais que uma coisa seria dada.
Sem mortes e sem luto,
Dar, não seria uma ação errada.
A mim não me cabe dar,
Nem receber,
Porque basta olhar
Para me perceber,
Em vez de julgar
Para me perder.
Podia apresentar mil oferendas.
Uma seria o meu coração,
Que está entre duas prendas,
Um e outro pulmão.
Outra seria novecentos e noventa e nove presenças
Que passaria segurando a sua mão.
Tudo isto não passa de romantismo.
É assim que passo os meus dias,
Sozinho nas aulas de Turismo,
Num mundo turístico sem guias,
Numa vida cheia de analfabetismo
E rodeado de amorosas enguias.
Mus-Eu (Música e Eu)
Já me doem os ouvidos.
Se dizem que tenho miolinhos
Então já devem estar todos moídos,
Cá dentro todos desfeitinhos.
Aguentar este peso tremendo
É mesmo para arrebentar.
E por muito que me esteja doendo,
Não consigo parar.
Sabem aquela barulheira
Que toda a gente adora?
Já não a suporto de tal maneira
Que a deixo de fora.
Sou um apaixonado.
Levo-me pelas emoções
Sem medo de ser enganado
Porque conheço todas as canções.
Música que se deve ouvir
É aquela com sentimentos.
Música não foi feita para curtir,
Mas sim para todos os barulhentos.
Se dizem que tenho miolinhos
Então já devem estar todos moídos,
Cá dentro todos desfeitinhos.
Aguentar este peso tremendo
É mesmo para arrebentar.
E por muito que me esteja doendo,
Não consigo parar.
Sabem aquela barulheira
Que toda a gente adora?
Já não a suporto de tal maneira
Que a deixo de fora.
Sou um apaixonado.
Levo-me pelas emoções
Sem medo de ser enganado
Porque conheço todas as canções.
Música que se deve ouvir
É aquela com sentimentos.
Música não foi feita para curtir,
Mas sim para todos os barulhentos.
Hipóteses de fuga
Quanto mais penso, pior é.
Olho para as várias escapatórias,
Onde penso pôr o pé,
Mas, infelizmente, tenho que ouvir estas histórias.
Pergunto-me se posso ir à lua,
Desligar-me de tudo à minha volta.
Em vez de sair à rua,
Prefiro não criar uma revolta.
Pergunto-me se posso matar aquele homem.
Bom, pelo menos, pô-lo a dormir.
É que aturar-lhe cria ferrugem
E escolho ficar e não sumir.
Pergunto-me se a janela está muito alta.
Seria melhor estar lá fora,
Já que cá dentro não faço falta.
Enfim, não posso me ir embora.
Pergunto-me se a porta está muito longe.
Pretendo abrí-la e tapar os ouvidos,
Porque já não aguento este monge,
Que, em vez de falar, só faz ruídos.
Pergunto-me se posso morrer agora.
Tanta palavra me sufocando.
Acho que já estive mais longe da minha hora,
Porque sinto o vocabulário me estrangulando.
Só me resta esperar pela hora certa,
Esperar que isto tudo termine.
Um fim a isto seria uma oferta.
"Seca", é como isto se define.
Olho para as várias escapatórias,
Onde penso pôr o pé,
Mas, infelizmente, tenho que ouvir estas histórias.
Pergunto-me se posso ir à lua,
Desligar-me de tudo à minha volta.
Em vez de sair à rua,
Prefiro não criar uma revolta.
Pergunto-me se posso matar aquele homem.
Bom, pelo menos, pô-lo a dormir.
É que aturar-lhe cria ferrugem
E escolho ficar e não sumir.
Pergunto-me se a janela está muito alta.
Seria melhor estar lá fora,
Já que cá dentro não faço falta.
Enfim, não posso me ir embora.
Pergunto-me se a porta está muito longe.
Pretendo abrí-la e tapar os ouvidos,
Porque já não aguento este monge,
Que, em vez de falar, só faz ruídos.
Pergunto-me se posso morrer agora.
Tanta palavra me sufocando.
Acho que já estive mais longe da minha hora,
Porque sinto o vocabulário me estrangulando.
Só me resta esperar pela hora certa,
Esperar que isto tudo termine.
Um fim a isto seria uma oferta.
"Seca", é como isto se define.
A minha amada amiga mentira
Falei com uma amiga minha.
Ela sorriu.
Chamei-lhe de amiguinha.
Ela retorquiu.
Vi uma sombra nos seus olhos
E uma emoção de falsidade.
Vi-a mexer os sobrolhos
E quanta era a intensidade.
Falei-lhe de outra gente.
Ela não se importou.
Falei-lhe do que se passava na sua mente.
Ela se fechou.
Saquei dela tudo o que era preciso
E mantive-me calado.
Então, mostrei um sorriso
E ela assumiu que algo estava errado.
Perguntei-lhe tudo de possível,
Mas ela manteve-se silenciosa.
Pensei em algo de horrível
Como se acabara de perder uma pedra preciosa.
Então eu peguntei:
"Será que ainda me amais?"
Ela afirmou, mas eu confirmei.
Era mentira e percebi que estava a mais.
Enfim, não passou de uma mentira.
Chorei por ela, amei-a tanto.
Ela tinha meus bens na sua mira.
Amei-a, nem ela sabe o quanto.
Ela sorriu.
Chamei-lhe de amiguinha.
Ela retorquiu.
Vi uma sombra nos seus olhos
E uma emoção de falsidade.
Vi-a mexer os sobrolhos
E quanta era a intensidade.
Falei-lhe de outra gente.
Ela não se importou.
Falei-lhe do que se passava na sua mente.
Ela se fechou.
Saquei dela tudo o que era preciso
E mantive-me calado.
Então, mostrei um sorriso
E ela assumiu que algo estava errado.
Perguntei-lhe tudo de possível,
Mas ela manteve-se silenciosa.
Pensei em algo de horrível
Como se acabara de perder uma pedra preciosa.
Então eu peguntei:
"Será que ainda me amais?"
Ela afirmou, mas eu confirmei.
Era mentira e percebi que estava a mais.
Enfim, não passou de uma mentira.
Chorei por ela, amei-a tanto.
Ela tinha meus bens na sua mira.
Amei-a, nem ela sabe o quanto.
Passatempo
Um dia passa depressa,
Exceto este momento secante.
Não sei que calma é essa,
Mas tenho à minha espera o meu amante.
Nesta sala tão pequena,
Cheia de gente atenta,
Não posso cantar de voz amena,
Mas não posso dizer que não me tenta.
Sou o poeta local.
Nesta sala como o deserto,
Sem sol, mas seca total,
Passo este dia coberto.
Já fez sol e já fez chuvinha.
Voltei para esta sala de alma penada
E enfiei-me nesta covinha,
Só para ouvir contos de fada.
Falo português como qualquer um.
Vivo o amor enforcado no pinheiro,
Porque, por mim, não passa nenhum,
Nem por dinheiro.
Por muito que eu sonhe em grandeza,
Ninguém percebe o meu cantar,
Ninguém encontra a minha beleza,
Ninguém mora no meu lar.
Se sou triste, não.
Apenas penso no momento,
Ouço o meu coração
E espero pelo último julgamento.
Exceto este momento secante.
Não sei que calma é essa,
Mas tenho à minha espera o meu amante.
Nesta sala tão pequena,
Cheia de gente atenta,
Não posso cantar de voz amena,
Mas não posso dizer que não me tenta.
Sou o poeta local.
Nesta sala como o deserto,
Sem sol, mas seca total,
Passo este dia coberto.
Já fez sol e já fez chuvinha.
Voltei para esta sala de alma penada
E enfiei-me nesta covinha,
Só para ouvir contos de fada.
Falo português como qualquer um.
Vivo o amor enforcado no pinheiro,
Porque, por mim, não passa nenhum,
Nem por dinheiro.
Por muito que eu sonhe em grandeza,
Ninguém percebe o meu cantar,
Ninguém encontra a minha beleza,
Ninguém mora no meu lar.
Se sou triste, não.
Apenas penso no momento,
Ouço o meu coração
E espero pelo último julgamento.
Vivo num mundo cheio...
Vivo num mundo cheio,
Um mundo cheio de inveja.
Este mundo até nem é feio,
Mas também é um mundo que ninguém deseja.
Vivo num coração mole,
Um coração que sofre.
Afasto meu coração antes que se esfole,
Porque o amor neste mundo é pobre.
Vivo numa realidade desastrada,
Uma realidade falsa.
Falta tempero, falta salsa.
Salsa, porque é verde
E verde traz alegria.
Neste meu mundo tudo se perde,
No meu coração tudo se desvia
E nesta minha realidade tudo deixa de existir.
Não quer dizer que tenha que desistir,
Mas se não posso fugir,
Porque não sei para onde ir,
Prefiro sorrir. :)
Um mundo cheio de inveja.
Este mundo até nem é feio,
Mas também é um mundo que ninguém deseja.
Vivo num coração mole,
Um coração que sofre.
Afasto meu coração antes que se esfole,
Porque o amor neste mundo é pobre.
Vivo numa realidade desastrada,
Uma realidade falsa.
Falta tempero, falta salsa.
Salsa, porque é verde
E verde traz alegria.
Neste meu mundo tudo se perde,
No meu coração tudo se desvia
E nesta minha realidade tudo deixa de existir.
Não quer dizer que tenha que desistir,
Mas se não posso fugir,
Porque não sei para onde ir,
Prefiro sorrir. :)
Ao sabor de um passo
Por muito eu já passei
E por tudo o que foi mau,
Os olhos fechei.
Provei o mais doce cacau.
E com uma dentada não me contentei,
Por isso peguei numa colher de pau
E, ao cacau, leite juntei.
Assim, o meu paladar, como uma nau,
Me fez perceber em que águas naveguei.
Não querendo abusar,
Pouco de mim mostrei.
Mas, mais do que digo, não sei
E tudo o que fiz, estraguei.
Por muito ainda estou por passar,
Mas enquanto não tiver azar,
Não me vou deitar
E esperar
Que alguém me venha amar.
E por tudo o que foi mau,
Os olhos fechei.
Provei o mais doce cacau.
E com uma dentada não me contentei,
Por isso peguei numa colher de pau
E, ao cacau, leite juntei.
Assim, o meu paladar, como uma nau,
Me fez perceber em que águas naveguei.
Não querendo abusar,
Pouco de mim mostrei.
Mas, mais do que digo, não sei
E tudo o que fiz, estraguei.
Por muito ainda estou por passar,
Mas enquanto não tiver azar,
Não me vou deitar
E esperar
Que alguém me venha amar.
No amor...
Todos sabem o que querem e desejam.
Eu, estou assim...
Não sei nada senão dos outros que me vejam,
Não sei de mim.
Sinto-me o frustrado,
Aquele que tudo pensa e diz mas nada faz.
Já sei que jogo do lado errado,
Mas é com "o tal" que o meu coração jaz.
Meu problema é não saber fazer.
E quem sabe, fala e pratica.
Tenho medo até de dizer,
Mas estou sem pica.
Porque, o que vem a mim, já sabe.
Se eu não sei, não arranjo ninguém como eu.
Se no meu coração muito cabe,
Não devo me apaixonar por quem me comeu.
Vai ser assim, o ciclo da vida
É dar, para não ficar,
E receber, para desperdiçar.
Enfim, já estou de ida.
Mais cedo ou mais tarde a vida começa
E tenho que me preparar para o que vier.
E assim, antes que algo me impeça,
Vou escutar o meu coração e receber tudo o que ele me der.
Eu, estou assim...
Não sei nada senão dos outros que me vejam,
Não sei de mim.
Sinto-me o frustrado,
Aquele que tudo pensa e diz mas nada faz.
Já sei que jogo do lado errado,
Mas é com "o tal" que o meu coração jaz.
Meu problema é não saber fazer.
E quem sabe, fala e pratica.
Tenho medo até de dizer,
Mas estou sem pica.
Porque, o que vem a mim, já sabe.
Se eu não sei, não arranjo ninguém como eu.
Se no meu coração muito cabe,
Não devo me apaixonar por quem me comeu.
Vai ser assim, o ciclo da vida
É dar, para não ficar,
E receber, para desperdiçar.
Enfim, já estou de ida.
Mais cedo ou mais tarde a vida começa
E tenho que me preparar para o que vier.
E assim, antes que algo me impeça,
Vou escutar o meu coração e receber tudo o que ele me der.
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