Meu amor,
Como gostaria que estivesses aqui.
Tenho saudade de amar.
A saudade de quem anda perdido,
Por não ver quem mais quer.
Chama-se saudade,
Porque não sei quando volta.
Este sentimento...
Penso em ti,
Porque não quero pensar em mais nada.
Só em ti.
Sinto a saudade de um navegador,
Que partiu em busca
Do orgulho do seu amor.
Sinto a saudade que sentiram os grandes,
Que foram enfrentar tormentas,
Receando não poder voltar.
Sinto a saudade que sentem muitos,
Pois o nosso fado
É feito de mares e ventos.
Somos os navegadores.
Somos as caravelas.
Somos levados à deriva.
Somos as canções de amor,
Proibidas pelos antigos tempos,
Terminados pelo rubio dos cravos.
Meu amor, somos a chama
Que purifica
E arrasa.
Somos terra fértil,
Recém-semeada,
De onde provêm a esperança.
Somos escravos,
Cicatrizados pelo passado,
Prisioneiros do presente.
Somos dois e um só.
Sou navegador.
Parto para longe de ti.
Só me resta a saudade.
Sou navegador.
Sou levado por tempestades,
Que deixam saudade do teu porto de abrigo.
Sou navegador.
Canto fados,
Canto serenatas à saudade.
Sou navegador.
Embalo-me todas as noites
Na saudade que tenho de ti.
Tenho a saudade de quem ama.
Amo a quem me tem saudade.
Canto a quem saudade tem.
Sem comentários:
Enviar um comentário