Desculpa se sou de poucas palavras,
Mas o papel sempre foi meu aliado.
Não sei ler caras
Nem sei como usar tanto palavriado.
Não percebo nada de sentimentos,
Afinal nunca tive muitos.
Mas eu vi algo em ti,
Algo que nunca vi em ninguém.
Talvez algo que pensava ter comigo,
Mas nunca percebi.
Por isso criei alguém,
Um modelo de amigo,
Algum esteriótipo idealista.
Criei uma pessoa que talvez exista por aí,
Mas não sei se algum dia vou saber.
Penso que talvez fosse um pouco surrealista,
No entanto eu me apercebi,
Que posso pensar sem me aperceber
Que o coração sabe mais que o crânio.
Isto pode tudo parecer piroso,
Mas é mesmo bastante.
Mas por muito que isto seja momentânio,
Não me aguentei a roer o osso,
Pensando que perderia a oportunidade de ter um amante.
Não sei nada que até dá pena,
Mas de toda a insegurânça,
Arranjei o mínimo de coragem para tentar.
Isto tudo no auge de uma cena.
Uma cena numa obra tansa,
Criada e acabada de inventar.
Nesta obra falo da minha vida,
Mas a partir de uma altura,
Passo a maior parte do tempo te descrevendo.
Falo de como te estranhei na tua ida,
Falo de como consegues ser uma pessoa tão imatura e matura,
Falo do nosso "segredo", mas ainda estou escrevendo.
Cada detalhe, cada pormenor,
Dou valor a tudo.
Já pus por ordem tudo o que temos em comum,
Já estou farto de viver uma vida só para um.
Gosto, sinceramente, do maior ao menor,
Do mais ao menos visível detalhe, que nada mudo.
Assim como tu és,
Diferente do que eu imaginei,
É como gosto de ti.
Desde a cabeça aos pés,
Da boca que beijei,
E daquilo que até ao momento senti.
Não faz muito sentido,
Posso ter escrito tudo isto
E sem o resultado desejado.
Mas ao menos te deixe comovido.
Mesmo negado, eu insisto,
Por isso, já estou preparado.
Venha o que vier,
Eu sei que se não der,
Vou sorrir mesmo sem querer.
Ok, se leste até aqui,
Já reparaste no enorme pessimismo.
Por isso, só vou dizer:
Gosto de ti,
Não digo que te amo porque é muito pesado.
Mas quem sabe, com o tempo talvez o diga,
Depende de ti.
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