sábado, 2 de março de 2013

A criança

Eu via tudo.
É engraçado...
Eu pensava que não ia ser nada complicado.
Pensava que acabaria sendo sortudo.
Espero que não acabe agora...
Porque podia estar errado.
A qualquer momento, qualquer hora,
Sei que o fim chega.

(Um suspiro sai da minha boca)
Mas de que fim estou a falar?
Afinal, todos sabem qual o seu destino...
Todos sabem o fim da sua época.
Nem todos conhecem o fundo do mar.
Nem todos olham para além do seu intestino.

O mar...
Estamos rodeados dele.
Será uma maldição?
Olhem.. olhem o fundo do mar.
Sintam o frio na pele,
Sintam a sua ondulação.

Olhem para o mar!
O que vêm?
Nada?!
Eu vejo... uma criança a chorar.
Vejo o que muitos prometem,
Mas deu em nada.

No fundo do mar está uma criança.
No fundo do mar escuro,
A pressão aumenta.
Quem será a criança?
Quem vê o seu coração impuro?
Como é que a criança se aguenta?

Eu olho para a criança...
Eu vejo o meu reflexo.
(Uma lágrima fugiu de mim.)
Eu vi a minha infância,
Toda ela embrulhada num complexo.

A minha vida...
(Tentando fingir um sorriso.)
Foi tão fácil...
No entanto, dei uma corrida,
Caí e fiquei indeciso:
Ficar chorando ou ser dócil.

Eu não sei em que contexto fiquei...
Dou por mim já chorando.
Preso no chuveiro...
Estou eu, onde me encurralei.
Ao passo que fui andando,
Foi o passo que me trancou em Fevereiro.

Fiquei esperando pelo amor,
Nem sequer olhava para lado nenhum.
Passei a sentir a falta de algo...
Passei a procurar o amor...
Agora procuro qualquer um...
Tornei-me amargo.

Era tão inocente...
Porquê?
Tornei-me uma pessoa tão diferente...
Para quê?
Nem precisei de influências...
Olhem para mim.
Era tão imperfeito.
O que vêm agora, são referências
Do homem que eu era antes
E a criança que sou agora.

Olhem para mim,
Queria voar...
Agora que tenho asas,
Não saio do chão...

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