Um dia passa depressa,
Exceto este momento secante.
Não sei que calma é essa,
Mas tenho à minha espera o meu amante.
Nesta sala tão pequena,
Cheia de gente atenta,
Não posso cantar de voz amena,
Mas não posso dizer que não me tenta.
Sou o poeta local.
Nesta sala como o deserto,
Sem sol, mas seca total,
Passo este dia coberto.
Já fez sol e já fez chuvinha.
Voltei para esta sala de alma penada
E enfiei-me nesta covinha,
Só para ouvir contos de fada.
Falo português como qualquer um.
Vivo o amor enforcado no pinheiro,
Porque, por mim, não passa nenhum,
Nem por dinheiro.
Por muito que eu sonhe em grandeza,
Ninguém percebe o meu cantar,
Ninguém encontra a minha beleza,
Ninguém mora no meu lar.
Se sou triste, não.
Apenas penso no momento,
Ouço o meu coração
E espero pelo último julgamento.
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