segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Passatempo

Um dia passa depressa,
Exceto este momento secante.
Não sei que calma é essa,
Mas tenho à minha espera o meu amante.

Nesta sala tão pequena,
Cheia de gente atenta,
Não posso cantar de voz amena,
Mas não posso dizer que não me tenta.

Sou o poeta local.
Nesta sala como o deserto,
Sem sol, mas seca total,
Passo este dia coberto.

Já fez sol e já fez chuvinha.
Voltei para esta sala de alma penada
E enfiei-me nesta covinha,
Só para ouvir contos de fada.

Falo português como qualquer um.
Vivo o amor enforcado no pinheiro,
Porque, por mim, não passa nenhum,
Nem por dinheiro.

Por muito que eu sonhe em grandeza,
Ninguém percebe o meu cantar,
Ninguém encontra a minha beleza,
Ninguém mora no meu lar.

Se sou triste, não.
Apenas penso no momento,
Ouço o meu coração
E espero pelo último julgamento.

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