segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Aula de fala

Isto está de rir.
O pior é que só tem graça
As desgraças
E tudo o que se partir,
Nem que seja uma carcaça
Ou umas taças.

Está tudo perdido.
Ninguém sabe,
Muito menos eu.
Preferia ter caído
Onde mais ninguém cabe
Senão o burro que morreu.

Com tanto
E tão pouco
Já estou de lado.
Sem santo
Nem rouco
Ouvindo este doutorado.

Catra-pum!
E já foi um.
Como aquele não há nenhum
Porque ninguém passa de comum,
Só comendo posta de atum
Naqueles dias de jejum.

Perdidos já somos dois
Nos nossos mundos egoístas,
Egocêntricos de cortesía.
Morreram as vacas e ficaram os bois.
Ele com os seus cronistas
E eu com a minha poesia.

De que adianta estar atento
Se antes ficar de olho aberto
Que estar surdo e burro.
Nada, de momento,
Me deixa tão desperto
Senão um murro.

Chiça penico,
Espero que não,
Por amor de Deus.
Preciso de ficar rico
Antes que me ponham a mão.
Pobres ateus.

Que vontade de te abraçar.
Sonho em te beijar,
Só te quero amar.
Mas agora não posso sonhar,
Porque tenho que fazer pensar
Que estou a estudar.

Farto-me de escrever,
Mas não param de fluir
Rimas soltas no papel.
Antes isso que sofrer
A conjugação do verbo "ir"
Com o predicativo de sujeito "fazer rapel".

Tem muita piada,
Porque eu já sei
Mas não me lembro.
É tudo conversa fiada
Sobre tudo o que passo e passei
Na turma de que sou membro.

Uma sala cheia de gente,
Cheia de personagens.
Uma sala dependente
De muitas falas
E linguagens.

Estou todo acelerado,
Não fico parado.
Nisto há um culpado:
Ou o líquido cafeinado,
Ou o bolo adoçado,
Ou o doce enchocolatado.

Tenho um discurso
Maior que o de um orador,
Maior que a maior filosofia.
Meu único recurso
É o meu professor,
Que só não sabe magia.

Tenho sangue americano,
Óculos no nariz
E um sorriso de matar.
Tenho veias de açoriano,
Sou magro de raíz,
E uma vontade enorme de cantar.

Só não sei português,
Porque não o quero ser
Nem desejo a ninguém.
Sou mais que inglês,
Convem saber,
Antes que mate alguém.

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