segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Hipóteses de fuga

Quanto mais penso, pior é.
Olho para as várias escapatórias,
Onde penso pôr o pé,
Mas, infelizmente, tenho que ouvir estas histórias.

Pergunto-me se posso ir à lua,
Desligar-me de tudo à minha volta.
Em vez de sair à rua,
Prefiro não criar uma revolta.

Pergunto-me se posso matar aquele homem.
Bom, pelo menos, pô-lo a dormir.
É que aturar-lhe cria ferrugem
E escolho ficar e não sumir.

Pergunto-me se a janela está muito alta.
Seria melhor estar lá fora,
Já que cá dentro não faço falta.
Enfim, não posso me ir embora.

Pergunto-me se a porta está muito longe.
Pretendo abrí-la e tapar os ouvidos,
Porque já não aguento este monge,
Que, em vez de falar, só faz ruídos.

Pergunto-me se posso morrer agora.
Tanta palavra me sufocando.
Acho que já estive mais longe da minha hora,
Porque sinto o vocabulário me estrangulando.

Só me resta esperar pela hora certa,
Esperar que isto tudo termine.
Um fim a isto seria uma oferta.
"Seca", é como isto se define.

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